Blog de viagens escrito por Luísa e Marcelo Colombo. Roteiros de viagem, planejamento e notícias para inspirar e facilitar a viagem dos seus sonhos. 

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Conheça a épica trilha Salkantay e vá à Machu Pitchu a pé

25 Apr 2017

Machu Picchu esteve sempre na minha lista de prioridades de viagem. Sempre tive muito interesse pela cultura inca e pelos seus costumes. E quando é assim parece que as coisas conspiram a favor dos viajantes, pois quando estava mais pilhado para ir, surge uma promoção na TAM para Cusco por algo em torno de R$600 já com taxas. Bom, né? Não perdi tempo e comprei as passagens. 

 

Para ir até Machu Picchu você tem alguns meios de transportes disponíveis que vão dos confortáveis trens da Inca Rail, passando pelos trens mais básicos, ônibus (até um determinado ponto) e as desafiadoras Trilha Inca (clássica) e a para mim desconhecida na época: Trilha Salkantay. Como estava numa fase da vida mais desafiadora e aventureira, decidi por uma uma experiência mais completa - A trilha Salkantay de 5 dias 4 noites, a caminhada de 5 dias que culminaria com uma visita a uma das 7 Novas Maravilhas do Mundo: Machu Picchu.

 

Voei do Rio para São Paulo, depois para Lima e por último Cusco de uma vez só. Sai numa sexta-feira às 21h e cheguei em Cusco por volta das 14hs do sábado. Chegando em Cusco, uma péssima surpresa: minha mochila havia ficado em Lima! Na hora bateu aquele desespero com um misto de cansaço após a viagem e ainda por cima o medo de não conseguir fazer a trilha, já que a minha programação estava super justa, pois faria a trilha de segunda a sexta e voltaria no sábado para Lima, ou seja, a mochila tinha que chegar domingo ou eu estaria perdido! Bom, fiz a reclamação no balcão da LAN no aeroporto e me garantiram que até o final do domingo eu estaria com minha mochila. 

Fui para o hostel sem nada, só com minha mochila de mão que, por um mole, só tinha uma camisa extra.

 

No fim das contas deu tudo certo, a mochila chegou e eu estava pronto para o desafio que começaria na segunda-feira, a Trilha Salkantay.

 

Vamos lá?

 

Dia um - Soraypampa

 

O carro da agência passou no hostel às 5h e de lá paramos em uma praça onde os grupos eram distribuídos para os ônibus que iriam até Mollepata (2,900m de altitude). A viagem até lá durou 2h30 entre estradas de terra e alguns penhascos, mas tudo muito tranquilo. Chegando a Mollepata tomamos café da manhã e organizamos nossas mochilas - esse ponto é muito importante: Você pode entregar para os guias até 5kg em uma mochila e o resto deverá ir com você. Eles pesam a mochila na hora! Então não exagere ou você vai passar por apuros nos 5 dias seguintes.

 

 

As primeiras horas da caminhada foram tranquilas, e logo chegamos a primeira parada, onde iríamos almoçar. Todas as refeições a partir daí estavam inclusas no pacote da trilha e foram uma grata surpresa - todas excelentes! Haviam também opções para vegetarianos. 

 

Depois do almoço, continuamos a caminhada rumo ao primeiro acampamento onde passaríamos a noite, foram mais ou menos 5 horas de caminhada, em um percurso fácil e praticamente todo plano, apesar da altitude. A medida que caminhávamos a paisagem ia ficando mais bonita e o tempo mais frio!

Passe o dedo para o lado para mais fotos do primeiro dia.

 

Ao final do primeiro dia foram em torno de 12km de caminhada em cerca de 6 horas. Chegamos ao acampamento Soraypampa, situado a 3,850 metros de altitude, um pouco antes do anoitecer com as barracas já montadas sob uma tenda maior que nos protegeria do vento e do frio ao pé da montanha. Dá uma olhada no visual do acampamento da primeira noite...

 

 

Dia dois - Subida a Abra Salkantay

 

O nosso guia Edwin acordou o grupo às 05h30 da manhã com uma xícara de chá de coca - o que se tornaria um hábito nos próximos dias. Após o café-da-manhã, todos se arrumaram e estavam prontos para o dia mais difícil, a subida a montanha Salkantay. Nesse dia o grupo tomou uma decisão importante: Pagar mais um porteador para carregar nossas mochilas. Foi a melhor decisão! 

 

 A primeira hora da caminhada foi tranquila, mas a medida que a hora passava o caminho ia se tornando um pouco mais difícil. Não comentei antes, mas durante a trilha não sofri nenhum efeito colateral em função da altitude, além do cansaço normal. O ideal era ter feito uma aclimatação em Cusco antes da trilha, mas como não tive tempo, acabei contando com a sorte. Também é preciso respeitar a altitude e seus limites. Fiz essa pausa para falar sobre o lema do segundo dia, que é: caminhe leve, devagar e sempre! 

 

Passe o dedo para o lado para mais fotos do segundo dia.

 

Antes de começar a subir para Abra Salkantay, pegue uma pedrinha na trilha e leve com você - conto sobre o por que mais a frente - A subida é realmente desgastante - por isso esteja leve! No meio do caminho fizemos uma parada para comer alguma coisa e respirar para seguir em frente. 

 

Após a chegada a Abra Salkantay, situada a 4.630 metros de altitude e aquelas fotos obrigatórias, tivemos uma cerimônia de agradecimento com o nosso guia, Edwin. A pedrinha que você pegou lá no início da subida é colocada empilhada a outras como sinal de agradecimento a montanha. Essa era um dos costumes dos Incas ao passar por essa parte do caminho a Machu Picchu. Agradecemos à Mãe Terra e fizemos um desejo - A cultura Inca e sua religião giram em torno da natureza -  nesse momento você sente uma energia difícil de explicar. Desfrute o momento sem qualquer preconceito, permita-se. 

 

 

 

 

 

 

Assim que o ritual terminou, começamos nossa descida para o lugar onde almoçaríamos. A descida para mim foi bem difícil, pois eu travava demais os joelhos para ter estabilidade (não estava com o tênis mais adequado), mas os cenários compensavam todo o esforço.

 

Passe o dedo para o lado para mais fotos do segundo dia.

 

Depois de 22km de trilha e 9 horas caminhando, chegamos ao segundo acampamento em Chaullay, situado à 2,900 metros de altitude, bem cansados, mas fomos recompensados com happy hour (snacks e cerveja) e, em seguida, um jantar épico que culminou com vinho da casa. Fomos dormir sob uma chuva torrencial que ajudava a embalar o sono... :)

 

 

Dia três - Chaullay, Sahuayaco e Santa Teresa

 

No terceiro dia a caminhada seguiu em ritmo de descida, o que para mim era um problema, pois sem um calçado adequado sofria travando os joelhos nos pontos de descida mais íngrime, o que trazia uma dor chatinha demais. Após umas 3 horas nesse ritmo, chegamos a Sahuayaco para o almoço.

 

Depois do almoço fizemos o trajeto de carro até as piscinas termais de Cocalmayo. Para entrar lá foi preciso pagar um extra de 15 soles - o que valeu super a pena - nada como relaxar depois de quase 50km de caminhada em três dias!

 

Após relaxar nas piscinas termais, fomos de carro para Santa Teresa, onde acamparíamos pela terceira noite. Nessa noite rolou uma festa no acampamento com todo o grupo do Edwin.

 

Passe o dedo para o lado para mais fotos do terceiro dia.

 

Dia quatro - Santa Teresa, Hidroelétrica e Águas Calientes

 

Nesse dia foi proposto ao grupo ir de carro até a Hidroelétrica para poder passar antes nas tirolesas. Eu estava muito na pilha de ir andando até a Hidroelétrica, afinal estávamos numa trilha, não é? Fui voto vencido e acabei tendo que ir com o pessoal para o local onde eles fariam a tirolesa, que é paga a parte. Como não curto muito, acabei não fazendo e aproveitei para relaxar. Esse foi o único senão da agência, no meu ponto de vista. Após a tirolesa continuamos o caminho de carro até a Hidroelétrica onde almoçaríamos.

 

Após o almoço partimos para a última grande caminhada da trilha que era da hidroelétrica até Águas Calientes. Muita gente que vai a Machu Picchu faz só essa parte da caminhada, o que já é muito legal para quem não tem pique ou não curte enfrentar uma trilha muito extensa.

 

 

A caminhada até Águas Calientes é toda plana, com cenários bonitos e você já consegue avistar a Machu Picchu de longe. O meu azar nessa parte foi que após a primeira hora de caminhada começou a chover torrencialmente e assim continuou até o final - nota, tanto meu tênis quanto a minha calça não eram impermeáveis.. A foto abaixo foi a minha última desse dia... cheguei completamente encharcado em Águas Calientes após umas 5h30 e 20km.

 

 

Dia cinco - A cereja do bolo - Machu Picchu


Esse dia começa muito cedo, muito mesmo... Acordamos 4h30 da manhã˙para ver os primeiros raios de sol tocando Machu Picchu. Vou contar sobre esse dia em um outro post, mas deixo a foto que mais gostei de lá... É um lugar mágico!

 

Após a visita de 1 dia a Machu Picchu, voltamos para Águas Calientes e de lá rumamos a Cusco de trem.

 

Valeu a pena? Sim! E como!

 

A trilha Salkantay foi relativamente difícil, mas muito muito muito gratificante. Caminhei pelas mais belas vistas da montanha e caminhei em torno de 70 km durante 4 dias entre subidas, descidas e terrenos acidentados. Sem dúvida a melhor experiência do tipo que já tive!

 

Senti uma paz e uma energia muito grande durante todo o caminho. Em alguns momentos caminhava sozinho em outros dividindo experiências com os companheiros de caminhada. Cada um cumprindo um objetivo pessoal durante a trilha. Isso não tem preço!

 

Por fim, aproveito para agradecer ao guia Edwin e todos da sua equipe que cuidaram muito bem do nosso grupo e fizeram o possível para nos trazer a melhor experiência. Além disso, agradeço também a todo o grupo e em especial ao Denis Russi, também brazuca, e que foi um companheiro de trilha e tanto!  

 

Informações úteis:

 

Como chegar a Cusco: A Latam leva você até Cusco a partir de diversas capitais do Brasil, com uma parada em Lima - cuidado nesse ponto, você deverá recolher sua bagagem e redespachar em seguida.

 

Hospedagem: Em Cusco fiquei no Loki Hostel - preços e acomodações justas. Tem um bar super legal para tomar uma bebida e conversar com os outros viajantes.

 

Agência: Você vai encontrar pela internet e lá em Cusco diversas opções com os mais variados preços. Fechei a trilha pela agência do Hostel Loki e também aluguei lá o saco de dormir. O guia que fez a trilha com o meu grupo abriu sua própria agência, a Puma Salkantay (https://www.facebook.com/pumasalkantay/) - que eu recomendo vivamente, pois foram serviços impecáveis ​​ao longo do caminho. 

 

Preço do pacote: O preço para a excursão de 5 dias atualmente é de $250 e o circuito mudou um pouquinho, agora passando por uma linda laguna, a Humantay. Incluí alimentação para todos os dias de caminhada, portadores até 5kg e a passagem de trem de volta para Cusco.

 

O que é importante levar do Brasil: Roupas confortáveis, como camisas e calças Dry Fit, uma segunda pela térmica, principalmente para as noites, gorro, luva, um calçado apropriado (se possível impermeável), além de um bom casaco esportivo impermeável também. Leve também uma lanterna e dinheiro, pois há algumas coisas não incluídas no pacote, como tirolesa; medicamentos, bebidas extras, etc...

 

Por último, não recomendo a trilha para pessoas que estão muito sedentárias, que tenham algum problema cardiológico ou que já tenham tido experiências ruins com o mal da altura. Consulte seu médico e faça um check-up básico antes de ir, o que pode evitar um grande desconforto.

 

 

 

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