Blog de viagens escrito por Luísa e Marcelo Colombo. Roteiros de viagem, planejamento e notícias para inspirar e facilitar a viagem dos seus sonhos. 

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E se voltássemos a viajar como antigamente?

3 Aug 2017

Sejamos honestos: já não se viaja como antigamente. Lembro ainda da época quando comprávamos um cartão de telefone para ligar para o Brasil, para mandar as notícias de que chegamos bem, e de como estava a correr a viagem. Quando dava, gastava meia hora no computador do hotel escrevendo um e-mail descrevendo para algumas amigas como estava indo tudo, e a promessa de mostrar as fotos quando volta-se de viagem (depois de revelar, é claro). Mas essa época já se foi há tanto tempo, embora eu ainda ache que 2004 foi ontem! 

Hoje a experiência de viajar é completamente diferente. Não se leva mais guias de viagem em papel, e sim o arquivo no tablet e no celular. Afinal, carregar peso para que? As anotações de dicas de amigos foram substituidas por mensagens de whatsapp e prints de textos dos blogs, com as novidades mais frescas. O famoso caderninho de viagem, com relatos e lembranças, foi substituido pelos posts no facebook, onde cada momento especial é registrado e nunca mais esquecido, que ainda será compartilhado toda vez que fizer aniversário, e logo aquela lembrança é re-aquecida na memória. 

 

Viajar antes era se ausentar, se recolher e ao mesmo tempo se perder. Era conhecer o desconhecido e se desconectar da vida cotidiana. A distancia era grande, e de certa forma, confortante para que se pudesse realmente viver aquela aventura. Hoje, viajar é ir alí, logo alí mesmo, onde você sempre está ao alcance de todos e de todas as notícias, boas ou ruins, e até mesmo as fofocas. Não existe se ausentar, e não existe a saudade de saber notícias, a saudade de ouvir a voz. Você está sempre ao alcance, está sempre disponível.

Para quem mora longe da família e dos amigos, é um alento ao coração, estou certa. É uma forma de participar de tudo, mesmo que de maneira virtual. Mas para quem deseja um destino incerto, uma aventura de descobertas, uma distancia satisfatória do que se conhece e da vida rotineira, mesmo que seja durante apenas o famoso e mais esperado mês do ano, é uma decepção sem fim. 

 

 

Às vezes, a proximidade virtual é um mal que nos traz a notícia de longe, mostra na palma da sua mão as pessoas que amamos, tão pertinho, mas que ao mesmo tempo parece que ri da sua desgraça de não pode fazer nada pelas tristezas contadas, não poder abraçar quem amamos quando eles ou você precisam. É matar as saudades apenas pela metade. 

Eu mesma confesso que eu não viajo sem estar conectada. Fazer o que? Ocios do ofício. Mas às vezes sinto falta de realmente me integrar ao local onde estou, sem a possibilidade de checar o google para saber qual rua pegar - afinal, pode-se perguntar a alguma pessoa na rua, não? - sem saber as notícias dos grupos da família, sem saber se tem e-mail novo ou não, definitivamente desconectado dos e-mails do trabalho e das mensagens do chefe, de oficialmente não ter contato disponível, seja para as coisas boas ou ruins, e simplesmente existir. 

 

Essa alta conectividade é positiva em muitos momentos da vida, mas acho que durante uma viagem ela pode ser exagerada e desnecessária. Confesso inclusive que Marcelo e eu já escolhemos destinos de viagem exatamente por não ter sinal de celular, e ficamos comemorando este fato.

 

Mas a realidade é que não precisamos que o destino não tenha sinal, mas que nós saibamos cortar esse "sinal" quando desejarmos ou necessitarmos. Espero que na minha próxima viagem eu possa colocar meus desejos em prática.

 

 

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