Blog de viagens escrito por Luísa e Marcelo Colombo. Roteiros de viagem, planejamento e notícias para inspirar e facilitar a viagem dos seus sonhos. 

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O que ninguém te conta sobre morar fora do país

3 Sep 2016

  A vida é um vai e vem de coisas, de sonhos, de vontades e desesperos de alma. Ela pede mudanças com uma frequência que me assusta, assim como ela parece que empaca com a mesma frequência. Nessas horas, minhas ideias voam longe e logo procuram um novo destino, uma nova meta, algo mais interessante e desafiador para fazer com a minha vida. 

 

Bom, nesse vai e vem, uns anos atrás, eu decidi morar fora do pais e arriscar um novo caminho na minha vida. Me inscrevi no programa de intercâmbio da faculdade (Alô UFF!) e fui cursar 2 semestres na faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto (<3). 

 

Foi umas das melhores experiências da minha vida e, às vezes, até me arrependo de ter voltado para o Brasil (sempre acho que deveria ter jogado tudo para o alto e ficado por lá mesmo), principalmente pelas pessoas tão queridas que deixei por lá. Quem já morou fora vai concordar. Vão te dizer que viajar expandiu seus horizontes, que os fez ter a cabeça aberta e mostrou o que realmente importa na vida.

 

Então, resolvi escrever algumas verdades sobre morar fora do país que eu queria ter ouvido antes de embarcar nessa etapa da vida: 

  

  

1. Você aprende a se cuidar mais. 

 

Parece besteira, mas é a primeira coisa que acontece, mesmo que você já se ache autossuficiente há tanto tempo. Quando você vai morar fora sozinho, as coisas mudam. Você pondera mais as suas amizades, as suas escolhas, os cuidados com você, com a sua casa, com tudo! Ou seja, a maturidade chega bem rápido quando você mora sozinha em outro país, onde se acontecer algo sério contigo, vai demorar três dias para as pessoas se darem conta e mais uns cinco dias para alguém te achar e te ajudar. A realidade bate e você meio que se dá conta de você, e somente você, é responsável pelos seus atos, e consequentemente pela sua segurança.  Você começa a dar mais valor a outras coisas, e isso é muito bom! 

 

2. As amizades que você faz são super intensas. 

 

Tudo depende das circunstâncias em que você se encontra, mas, normalmente, a maioria dos amigos que vai fazer durante o seu tempo fora do país serão outros imigrantes, já que todos estão fora de sua terra-natal, e consequentemente, com necessidades de criar laços. Como não haverá família por perto para ajudar na hora do aperto, essas amizades podem se tornar bem intensas, e isso é um ponto positivo! 

 

No meu caso, fui morar em um alojamento da Universidade do Porto, onde moravam 13 (isso mesmo, TREZE) mulheres em um apartamento. Eram 13 quartos, é verdade, mas apenas um banheiro para todas, imagina só! 

 

 
A maioria era de mulheres estrangeiras, fazendo mestrado ou graduação, e acabava sendo uma blá blá blá de várias línguas. No começo, eu pensava que ia demorar mil anos até conhecer as pessoas, e ia passar boa parte do meu tempo mais sozinha. Mas acontece que já no terceiro dia morando em Portugal, quando dei por mim, estava com várias pessoas queridas bebendo chopes no fim de tarde de um lindo dia de verão. Nossa amizade, depois desse dia, foi muito além de conveniência por morarmos juntas. São pessoas incríveis que acabei encontrando na minha vida, e cada uma me ensinou lições valiosas que levo comigo sempre, e sempre falo quando posso para elas: Vocês moram no meu coração! Depois daquele ano juntas, onde literalmente voltei chorando as nove horas de avião de volta ao Brasil, já nos vimos mais uma ou duas vezes, e espero que isso continue acontecendo até estarmos bem velhinhas e cheias de netos. <3 

  

3. Você tem que se esforçar MUITOO para se encaixar na cultura do país novo.

 

A real é que é tudo estranho! Pode parecer óbvio, mas sempre seremos estrangeiros fora do Brasil. Não importa o quão integrado você esteja, o quão bem fale a língua, ou se teoricamente, se for o mesmo idioma! 

 

Eu achei que por escolher um país que fala o mesmo idioma que eu, e que ainda tenho a nacionalidade, iria ajudar muito na minha adaptação e no meu pertencimento por lá. Mas a verdade é que Portugal é outro país completamente diferente: as histórias são diferentes, o idioma é diferente sim, e é bem difícil entender o jeito de tudo ser!

 

Lembro de situações tragicômicas como tentar comprar isopor para um oficina de esculturas durante faculdade ou simplesmente pedir o grampeador emprestado na biblioteca. Coisas relativamente simples no cotidiano, mas que são itens em que o vocabulário é completamente diferente, e eu nem imaginava quando fui para lá. 

Além disso, os portugueses tem uma forma mais literal de ver a vida, e de se comunicar, o que é bem diferente do nosso jeito, e pode trazer a tona alguns atritos entre as duas culturas. Então, quando isso acontece, você acaba ficando com cara de tacho, pensando "O que eu fiz de estrangeirisses dessa vez?" 

 

Outra coisa que tem que ser abordada, e friamente, é: Portugal tem muito preconceito com brasileiros, e com mulheres brasileiras, é infinitamente pior. E não importava nenhum pouco se eu tenho nacionalidade portuguesa, o que para eles é irrelevante. Então, às vezes, eu tinha que exercitar bastante a minha paciência e respirar fundo em várias situações. 

 

Embora desvendar esse novo mundo, esse novo jeito, seja impagável, tem hora que cansa, e você só quer pertencer, sabe? Sem fazer grandes esforços. 

 

 

 

4. E depois tem que se esforçar para se desencaixar!

 

É verdade! Depois de todo o esforço, e as coisas mais esquisitas, você acaba se encaixando. Você começa a ver sentido nos hábitos mais curiosos, naqueles que tanto você estranhou no início. Você sabe onde encontra tudinho, já frequenta a casa dos amigos, encontra pessoas no supermercado ou passando pela rua. A sua rotina já está preenchida, os horários dos transportes públicos já estão gravados na mente, você já elegeu seu pub favorito, e se bobear, já fez amizade com a garçonete. Já está tirando de letra a alimentação diferente, já conhece as marcas boas e as mais ou menos, e até as gírias já estão no seu vocabulário. Quando você resolve fazer uma pequena viagem, e ao final, você só quer voltar para casa, e se dá conta: nessa sentença, casa não significa mais o Brasil, mas sim a sua nova escolha de LAR. 


E isso acontece mais rápido do que você pode imaginar, e depois você precisa desencaixar tudo isso e voltar para o Brasil. 

 

 

5. Em algum momento, você vai querer desistir e voltar para casa!

 

Essa é a dica que eu falo para todos que estão indo morar fora do país, e é a dica que as pessoas mais odeiam ouvir, Mas eu insisto em falar para os meus amigos, e recentemente para minha irmã, que agora mora na linda Roma (Oi, Darcy), porque é verdade, e eu gostaria que alguém tivesse me falado isso antes de ter acontecido comigo. 

 

Fazer as malas, entrar em um avião e ir na cara de coragem morar em outro país, é quando você se sente mais sozinha nesse mundão! Você se dá conta de que a responsabilidade é toda sua, para absolutamente tudo mesmo! No começo, assusta! Assusta sério! 

 

 

No mundo dos expatriados, a vida pode ficar bem solitária, e se o seu país tiver um inverno largo, até mesmo bem depressiva. E esse pensamento vai passar pela sua cabeça, e pelos mais diferentes motivos. 


Então, saiba que isso pode acontecer com você sim, e você não estará sozinho nesse sentimento.


Eu sei, você pode estar pensando que isso não vai acontecer com você, afinal, você se esforçou muito para que essa etapa acontecesse e ninguém quer morar fora do pais mais do que você. Então, eu achava isso também. E pode até ser verdade, mas o que eu queria ter sabido lá trás é que uma coisa não tem nada a ver com a outra. Você querer desistir em algum momento não quer dizer que você se arrependeu, só quer dizer que é difícil, que é complicado, que a saudade bate forte, que as vezes você fica pensando que você está abrindo mão de tempo precioso com pessoas queridas, e isso tudo pesa bastante na mente. 

6. Mas se você encarar, isso vai passar! 
Sim, o mais legal é saber que isso vai passar sim! Se você engolir essa vontade de voltar, essa saudade louca da família, amigos e tudo mais, isso vai passar!

E lembre-se sempre disso!

 

Morar fora, se entregar ao desconhecido, às novas experiências, vale mais do muitas outras experiências de vida. Mas como tudo nesta vida, teremos dias bons e ruins. 

O importante é saber o que se vai encarar para não se assustar com os percalços dessa nova etapa. 

 

E você? Alguma outra verdade sobre morar fora do país?
Colabora aqui!

 

 

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